quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Postal de Natal

(...) “Jesus, o Emanuel, o “Deus connosco”, explica o Natal. (...)

Natal mostra o amor que Deus tem por nós.

O Menino Jesus é a oferta mais excelsa que o Céu poderia fazer
à Terra. Esta minúscula Terra, perdida na imensidão dos espaços,
entre biliões de estrelas, mas de tal modo eleito, de tal modo
escolhida que se tornou a morada do Deus verdadeiro feito
homem.


O Natal grita-nos que Deus nos ama, que Deus é Amor.

E nós não somos autênticos cristãos se não dermos ao Natal
o seu verdadeiro significado; se não soubermos extrair deste
encantador mistério, circundado por tanta aparência, a verdade
que ele traz em si.

Devemos fazer como os anjos que o anunciaram aos pastores
e não perder nenhuma ocasião para recordar aos irmãos, aos
amigos, aos companheiros e ao mundo que o Amor desceu à
Terra para cada um de nós. Que ninguém, no Natal, se deve
sentir só, abandonado, órfão ou infeliz.

Jesus não veio só para os brancos nem só para os negros: não
veio apenas para os europeus nem unicamente para outros povos.
Deus fez-se homem pela humanidade inteira, portanto, para
cada um de nós.

É festa, então, para todos, alegria para todos, liberdade para
todos, paz para todos.”

Chiara Lubich

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Palavra de Vida - Dezembro - vídeo


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Adaptação ao comentário de Chiara Lubich.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Palavra de Vida - Dezembro - com fotografias

Para os mais jovens aqui fica a Palavra de Vida deste mês -adaptação ao comentário de Chiara Lubich - ilustrada com fotografias. Pode fazer-se o download para o computador ou clicar em cima para ver a imagem maior.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Palavra de Vida - Dezembro

«Não se faça a minha vontade, mas a Tua» [Lc 22, 42]. (1)

Lembram-se? Foram as palavras que Jesus dirigiu ao Pai no Jardim das Oliveiras e que dão sentido à Sua Paixão, seguida da Ressurreição. Esta frase exprime com toda a intensidade o drama que se passou no íntimo de Jesus. Revela a ferida interior provocada pela repugnância profunda da Sua natureza humana diante da morte determinada pelo Pai. Mas Cristo não ficou à espera daquele dia para aderir com a Sua vontade à vontade de Deus. Ele fez isso durante toda a vida. Se foi esta a conduta de Cristo, então deve ser esta a atitude de todos os cristãos. Cada um de nós deve repetir na sua vida:

«Não se faça a minha vontade, mas a Tua».

É muito possível que não tenhamos pensado nisso, mesmo sendo baptizados, e filhos da Igreja. Muitas vezes reduzimos esta frase a uma expressão de resignação, que se pronuncia quando não se pode fazer mais nada. Mas não é esta a sua verdadeira interpretação.

Atenção! Na vida, podemos escolher duas direcções: fazer a nossa vontade, ou optar livremente por fazer a vontade de Deus.

E teremos então duas possibilidades: a primeira, que depressa se tornará decepcionante, é como escalar a montanha da vida só com as nossas ideias limitadas, com os poucos meios que temos, com os nossos pobres sonhos, contando só com as nossas forças. A partir daí, mais tarde ou mais cedo, vai chegar a experiência da rotina de uma existência cheia de tédio, de mediocridade, de pessimismo e, às vezes, até de desespero. Uma vida monótona, apesar do nosso esforço por torná-la interessante, que nunca chegará a satisfazer o nosso íntimo mais profundo. Temos que o admitir. Não o podemos negar. E, no fim de tudo, virá uma morte banal, que não deixa rasto: apenas algumas lágrimas e tudo cai num esquecimento inexorável, total e universal.

A segunda possibilidade é quando também nós repetimos com Jesus:

«Não se faça a minha vontade, mas a Tua».

Se virmos bem, Deus é como um sol. Deste sol partem muitos raios que se projectam sobre cada pessoa. Representam a vontade de Deus sobre cada uma delas. Durante a sua vida, os cristãos, e também as pessoas de boa vontade, são chamados a caminhar em direcção ao sol, seguindo a luz do raio de sol que lhe é próprio, diferente e distinto de todos os outros. E poderão realizar o projecto maravilhoso, pessoal, que Deus tem para cada um.

Se assim fizermos, vamo-nos sentir envolvidos numa divina aventura, nunca antes imaginada. Seremos, ao mesmo tempo, actores e espectadores de um qualquer coisa de grandioso que Deus realiza em nós e, através de nós, na humanidade. Tudo aquilo que vier a acontecer-nos, como os sofrimentos e alegrias, graças e desgraças, factos importantes (tais como sucessos ou momentos de sorte, acidentes ou a morte de entes queridos), factos insignificantes (como o trabalho do dia-a-dia em casa, no escritório ou na escola), tudo, tudo vai adquirir um significado novo, porque nos é oferecido pela mão de Deus que é Amor. Tudo o que Ele quer, ou permite, é para o nosso bem. E, se no princípio acreditamos nisso apenas com a fé, veremos depois, com os olhos da alma, que existe um fio de ouro a ligar acontecimentos e coisas, a compor um magnífico bordado: é o projecto de Deus para cada um de nós.

Pode ser que esta perspectiva te atraia e queiras sinceramente dar um sentido mais profundo à tua vida. Então ouve. Vou dizer, antes de mais, quando se deve fazer a vontade de Deus. Se pensarmos bem: o passado já não existe e não podemos voltar a tê-lo. Só nos resta colocá-lo na misericórdia de Deus. O futuro ainda não chegou. Havemos de o viver quando se tornar actual. Nas nossas mãos só temos o momento presente. É nele que devemos viver a Palavra:

«Não se faça a minha vontade, mas a Tua».

Quando se quer fazer uma viagem – e a vida é também uma viagem –, sentamo-nos sossegados no nosso lugar. Não nos passa pela cabeça pôr-nos a andar para trás e para diante na carruagem do comboio. Era o que fariam aqueles que querem viver a vida a sonhar com um futuro que ainda não existe, ou a pensar no passado que nunca mais vai voltar.

Não, o tempo caminha por si. É preciso concentrarmo-nos no presente para chegarmos à plena realização da nossa vida aqui na Terra.

Podem perguntar-me: mas como é que posso distinguir a vontade de Deus da minha? No momento presente não é difícil saber qual é a vontade de Deus. Vou-te indicar um caminho. Ouve bem, dentro de ti, uma voz delicada, que muitas vezes sufocamos, e que se torna quase imperceptível. Mas, se a ouvirmos bem: é a voz de Deus (2). Ela diz-nos que aquele é o momento de ir estudar, ou de ajudar quem tem necessidade, ou de trabalhar, ou de vencer uma tentação, ou de cumprir um dever de cristão ou de cidadão. Convida-nos a dar atenção a alguém que nos fala em nome de Deus, ou a enfrentar com coragem situações difíceis... Temos que a ouvir. Não façamos calar essa voz: é o tesouro mais precioso que possuimos. Sigamo-la! E, então, momento a momento, construiremos a nossa história pessoal. É uma história humana e, ao mesmo tempo, divina, porque feita por cada um de nós em colaboração com Deus. Veremos maravilhas. Veremos o que Deus pode fazer numa pessoa que diz, com toda a sua vida:

«Não se faça a minha vontade, mas a Tua».

Chiara Lubich


1) Palavra de Vida, Agosto de 1978. Publicada em Essere la tua Parola. Chiara Lubich e cristiani di tutto il mondo, Roma 1980, pp. 81-84; 2) cf. Jo 18, 37; cf. Ap 3, 20.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Dar

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sábado, 1 de novembro de 2008

Palavra de Vida - Novembro - com fotografias

Para os mais jovens aqui fica a Palavra de Vida deste mês -
adaptação ao comentário de Chiara Lubich - ilustrada com fotografias. Pode fazer-se o download para o computador ou clicar em cima para ver a imagem maior.

Palavra de Vida - Novembro

«Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-Me» [Lc 9, 23]. (1)

Não pensemos que, por estarmos neste mundo, podemos viver ao seu sabor como um peixe na água. Não pensemos que, pelo facto de o mundo nos entrar em casa através de certos programas de rádio ou da televisão, nos seja permitido ouvir todos os programas e ver todas as transmissões que fazem. Não pensemos que, por andarmos pelas estradas do mundo, podemos olhar impunemente para todos os cartazes e comprar no quiosque ou na livraria, indiscriminadamente, qualquer tipo de publicação. Não pensemos que, por estarmos no meio do mundo, podemos imitar e assumir os modos de viver do mundo: experiências fáceis, imoralidade, aborto, divórcio, ódio, violência, roubo.

Não, não. Nós estamos no mundo. E isso é evidente.

Mas não somos do mundo (2).

E isso implica uma grande diferença. Classifica-nos entre aqueles que não se alimentam das coisas mundanas e superficiais, mas das que nos são expressas, dentro de nós, pela voz de Deus que está no coração de cada pessoa. Se a escutarmos, faz-nos penetrar num reino que não é deste mundo. Um reino onde se vive o amor verdadeiro, a justiça, a pureza, a mansidão, a pobreza. Onde vigora o domínio de si mesmo.

Porque é que muitos jovens fogem para o Oriente, para a Índia, por exemplo? É porque tentam encontrar ali um pouco de silêncio e aprender o segredo de algumas figuras importantes, grandes na espiritualidade, que, pela profunda mortificação do seu “eu” inferior, deixam transparecer um amor (…) que impressiona todos os que deles se aproximam. É a reacção natural à confusão do mundo, ao barulho que reina fora e dentro de nós, que já não dá espaço para o silêncio, para se ouvir Deus.

Coitados de nós! Mas será mesmo preciso ir à Índia, quando há dois mil anos Cristo nos disse: «nega-te a ti mesmo… nega-te a ti mesmo…»?

A vida cómoda e tranquila não é para o cristão. Se quisermos seguir Cristo, ele não pediu nem nos pede menos do que isto.

O mundo invade-nos como um rio na época das cheias, e nós temos que ir contra a corrente. O mundo para o cristão é um matagal cerrado, e é preciso ver onde se põem os pés. E onde é que devemos pôr os nossos pés? Sobre aquelas pegadas que o próprio Cristo, ao passar nesta Terra, nos deixou assinaladas: são as Suas Palavras. Hoje, Ele diz-nos de novo:

«Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo…».

Por causa disso, talvez se venha a ser alvo de desprezo, de incompreensão, de zombarias, de calúnias. Podemos ter que nos isolar, que aceitar a desconsideração, que abandonar um cristianismo de fachadas.

Mas Jesus continua:

«Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-Me».

Quer queiramos, quer não, o sofrimento amargura a nossa existência. Também a tua. E, todos os dias, chegam-nos pequenos ou grandes sofrimentos. Gostarias de te livrar deles? Revoltas-te? Dão-te vontade de te lamentares? Então, não és cristão.

O cristão ama a cruz, ama o sofrimento, mesmo entre lágrimas, porque sabe que tem valor. Não foi em vão que, entre os muitos meios de que Deus dispunha para salvar a humanidade, escolheu o sofrimento. Mas Ele – lembra-te –, depois de ter levado a cruz e de ser nela crucificado, ressuscitou.

A ressurreição é também o nosso destino (3). Se aceitarmos com amor – em vez de o desprezarmos – o sofrimento que nos vem da nossa coerência cristã e todos os outros que a vida nos traz, havemos de experimentar, então, que a cruz é o caminho, já nesta Terra, para uma alegria nunca antes experimentada. A vida da nossa alma começará a crescer. O reino de Deus em nós adquirirá consistência. E lá fora, pouco a pouco, o mundo vai desaparecendo aos nossos olhos e parecer-nos-á de cartão. E já não vamos ter inveja de ninguém.

Nessa altura já nos podemos considerar discípulos de Cristo:

«Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-Me».

E, como Cristo a quem seguimos, seremos luz e amor para as chagas sem número que dilaceram a humanidade de hoje.

Chiara Lubich

1) Palavra de Vida, Julho de 1978. Publicada em Essere la tua Parola, Chiara Lubich e cristiani di tutto il mondo, Roma 1980, pp. 67-69;
2) cf. Jo 17, 14;
3) cf. Jo 6, 40.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Palavra de Vida - Outubro

«Dai e ser-vos-á dado: uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante, será lançada no vosso regaço» [Lc 6, 38]. (1)

Nunca te aconteceu receberes uma prenda de um amigo e sentires logo o desejo de lhe retribuir? E de fazer isso não tanto para cumprir uma obrigação, mas por um sentimento verdadeiro de amor e reconhecimento? Tenho a certeza que sim.

Se isto sucede connosco, imagina como será com Deus, com Deus que é Amor.

Ele retribui sempre todas as ofertas que fazemos aos nossos próximos em Seu nome. É uma experiência que os cristãos verdadeiros fazem com muita frequência. E, de cada vez, é sempre uma surpresa. Nunca nos habituamos à imaginação de Deus. Poderia dar-te mil ou dez mil exemplos. Poderia até escrever um livro acerca disso. Verias como é verdadeira aquela imagem – «uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante, será lançada no vosso regaço» –, que representa a abundância com que Deus retribui, representa a Sua magnanimidade.

«Já era noite em Roma. No apartamento de uma cave, um pequeno grupo de raparigas, que queriam viver o Evangelho, davam as boas-noites. Nisto, toca a campainha. Quem seria àquela hora? Era um homem, em pânico, desesperado: no dia seguinte ia ser expulso de casa com a família, porque não tinha dinheiro para pagar a renda. As raparigas olharam umas para as outras e, num acordo silencioso, abriram a gavetinha onde, em envelopes separados, tinham guardado o resto dos seus salários e uma reserva para pagar o gás, o telefone e a electricidade. Deram tudo àquele homem, sem pensar duas vezes. E foram dormir, felizes. Alguém haveria de pensar nelas. Mas ainda o dia não tinha nascido, quando o telefone tocou. “Vou já para aí, de táxi”, disse aquele mesmo homem. Admiradas com o meio de transporte que ia usar, as raparigas ficaram à espera. Pela expressão do visitante, qualquer coisa tinha mudado: “Ontem à noite, quando cheguei a casa, encontrei uma carta a comunicar-me uma herança que nunca pensei que fosse receber. O meu coração sugeriu-me logo que vos desse metade do dinheiro”. A quantia era exactamente o dobro daquilo que elas generosamente tinham dado».

«Dai e ser-vos-á dado: uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante, será lançada no vosso regaço».

Já alguma vez fizeste uma experiência deste género? Se ainda não, lembra-te que a nossa oferta deve ser feita desinteressadamente, a quem quer que nos peça, sem esperar que seja retribuída.

Experimenta. Mas não o faças para ver o resultado, mas só porque amas a Deus.

Vais dizer-me: «Mas eu não tenho nada».

Não é verdade. Se quisermos, temos tesouros imensos e inesgotáveis: o nosso tempo livre, o nosso afecto, o nosso sorriso, o nosso conselho, a nossa cultura, a nossa paz, a nossa palavra para convencer aqueles que podem dar qualquer coisa a quem não tem...

Vais-me dizer ainda: «Mas eu não sei a quem dar».

Olha à tua volta: lembra-te daquele doente no hospital, daquela senhora viúva sempre sozinha, daquele teu colega tão desanimado porque perdeu o ano, daquele jovem desempregado sempre triste, do teu irmãozito que precisa da tua ajuda, daquele amigo que está na cadeia, daquele aprendiz hesitante. É neles que Cristo está à tua espera.

Assume um novo tipo de comportamento, o do cristão – totalmente impregnado de Evangelho –, que é um comportamento anti-egoísta e despreocupado. Renuncia a pôr a tua segurança nos bens da Terra e apoia-te em Deus. É assim que se irá ver a tua fé n’Ele. E em breve será confirmada, pela oferta que voltarás a receber.
E é lógico que Deus não procede assim para te enriquecer ou para nos enriquecer. Ele faz isso para que outros, muitos outros, ao ver os pequenos milagres que se realizam com o nosso dar, também façam o mesmo. Ele faz isso para que, quanto mais tivermos, mais possamos dar. Para que – como verdadeiros administradores dos bens de Deus – façamos circular tudo na comunidade que nos rodeia, até que se possa dizer, como se dizia da primeira comunidade de Jerusalém: entre eles não havia nenhum pobre (2).

Vais sentir que, assim, contribuis para dar uma segurança interior à revolução social que o mundo espera.

«Dai e ser-vos-á dado». É claro que Jesus estava a pensar, em primeiro lugar, na recompensa que vamos receber no Paraíso. Mas tudo o que acontece nesta Terra é já um prelúdio e uma garantia do Paraíso.

Chiara Lubich

1) Palavra de Vida, Junho de 1978. Publicada em Essere la tua Parola, Chiara Lubich e cristiani di tutto il mondo, Roma 1980, pp. 49-51;
2) cf. Act 4, 34.